André Mendonça autorizou quebra de sigilo e monitoramento de Jaques Wagner após suspeita de vazamento
Postado 31/07/2026 10H49
Por Redação Ativa ES
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a quebra do sigilo telefônico e o monitoramento do celular do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A medida foi tomada após a suspeita de possível vazamento de informações sobre uma fase da investigação da Polícia Federal (PF). Segundo documentos retirados de sigilo pelo ministro nesta quinta-feira (30), a PF apontou indícios de que informações sobre a operação poderiam ter sido antecipadas ao parlamentar antes do cumprimento das medidas judiciais. De acordo com a investigação, Jaques Wagner é suspeito de ter recebido vantagens indevidas ligadas ao Banco Master.
A Polícia Federal apura supostos pagamentos de propina e investiga a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria seguido o mesmo modelo utilizado na aquisição de imóveis atribuídos ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. As investigações também apontam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria marcado encontros com o senador no Congresso Nacional, disponibilizado um avião para deslocamentos e citado, em conversas interceptadas, que Jaques Wagner atuaria como intermediário para transmitir recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na decisão, André Mendonça afirmou que um fato chamou a atenção durante a tramitação do processo: o gabinete do ministro recebeu um pedido de audiência de um dos investigados no mesmo dia em que a Polícia Federal protocolou o pedido para a nova fase da operação. Segundo o magistrado, a coincidência aumentou o risco de vazamento das diligências.
A Polícia Federal solicitou o monitoramento da localização do telefone celular de Jaques Wagner por dez dias. O objetivo, segundo os investigadores, era evitar que diligências presenciais despertassem suspeitas e comprometessem a operação. Ainda conforme a decisão, a vigilância por meio do sinal telefônico foi considerada menos invasiva e mais segura para preservar o sigilo da investigação, reduzindo o risco de destruição de provas, troca de aparelhos celulares ou combinação de versões entre investigados.
Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. No dia seguinte à operação, o senador tentou vender um terreno avaliado em cerca de R$ 15 milhões na Região Metropolitana de Salvador, mas a negociação foi bloqueada após determinação judicial de indisponibilidade de bens. Até o momento, a defesa do senador não havia se manifestado sobre a decisão do STF e sobre as medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça.
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