Pazolini perde apoio e enfrenta novo desgaste político após escolha de vice do PL
Postado 15/08/2026 04H06
Por Charles Manga
Saída do Democrata expõe crise na aliança; antiga declaração de Gilvan da Federal também volta ao centro do debate
A candidatura de Lorenzo Pazolini ao Governo do Espírito Santo descreveu um dos momentos mais delicados de sua construção política.
A decisão de aproximar definitivamente Republicanos e PL, com a indicação da *Bispa Eliane Leal (PL)* para a vice-governadoria, provocou uma consequência imediata do Democrata. O presidente estadual da legenda, Tenório Merlo, confirmou que o partido não pretende mais permanecer na coligação com Pazolini.
Estamos fora da coligação com Pazolini* , declarou Merlo, segunda reportagem do Tribuna Online. O dirigente afirmou que o partido se sentiu desprestigiado por não ter participado da reunião que definiu os rumores da aliança.
Merlo chegou a classificar a situação como uma falta de respeito e afirmou que o Democrata se sentiu excluído das decisões. Segundo ele, a legenda havia declarado apoio a Pazolini anteriormente e esperava, no mínimo, participar das discussões sobre a composição do chapa.
Aproximadamente com o PL e uma antiga contradição
O episódio ganha ainda mais peso quando se olha para o histórico da relação entre Pazolini e setores mais ideológicos do PL.
Em abril de 2024, durante um evento do PL realizado em Vitória por ocasião da filiação de Armandinho Fontoura, o deputado federal Gilvan da Federal fez uma crítica direta ao então prefeito de Vitória.
Gilvan afirmou que Pazolini “não é uma cara de direita” e defendeu que a capital capixaba elegesse políticos “verdadeiramente de direita”. E agora Gilvan da Gederal dá as mãos a Pazolini por predem de Magno Malta presidente do PL, interessado nas vagas ao Senado e ao Vice-Governador. Naquele momento, o deputado Gilvan da Federal também manifestou apoio aos nomes do PL que disputavam espaço político em Vitória.
A declaração é relevante agora porque Pazolini busca consolidar justamente uma aliança com o PL e com o eleitorado identificado com o bolsonarismo.
Ou seja, o mesmo ambiente político que no passado questionava a identidade ideológica de Pazolini hoje aparece como peça importante de sua candidatura ao Palácio Anchieta.
Isso não significa que Gilvan esteja atualmente contra a aliança. Pelo contrário: fontes recentes mostram o deputado integrado ao grupo político que trabalha pela candidatura de Pazolini. Portanto, a declaração de 2024 deve ser entendida como um registro do histórico de divergências, e não como uma afirmação de que Gilvan hoje se opõe formalmente à chapa.
A crise com o Democrata revela uma questão maior: como Pazolini pretende construir uma candidatura ampla se partidos aliados afirmam que não estão sendo ouvidos nas decisões estratégicas?
O Democrata diz que poderia até aceitar um vice-indicado pelo PL, mas questiona o fato de ter sido excluído das conversas.
Esse ponto é politicamente sensível.
Uma candidatura ao Governo do Estado precisa reunir diferentes forças, interesses e grupos eleitorais. Quando uma legenda que havia declarado apoio decide abandonar a composição justamente às vésperas do registro das candidaturas, o episódio deixa de ser apenas uma disputa por espaço e passa a representar um problema de articulação política.
Entre o bolsonarismo e a tentativa de ampliar a aliança
Pazolini fez, em 2026, um movimento claro em direção ao campo bolsonarista ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência. A proposta foi interpretada como um aceno direto ao PL capixaba.
A estratégia pode fortalecer Pazolini entre candidatos mais aprovados à direita, mas também aumenta o desafio de manter uma frente política suficientemente ampla.
O próprio histórico mostra que PL e Republicanos nem sempre foram alinhados no Espírito Santo. As duas forças já protagonizaram disputas pela liderança do campo conservador no Estado.
Agora, a união eleitoral tenta superar essas diferenças antigas.
O risco para Pazolini
A saída do Democrata, somada ao histórico de críticas recebidas de setores do próprio campo da direita, cria uma situação que Pazolini terá de administrar com cuidado.
O risco não é simplesmente perder um partido. É transmitir ao eleitor a imagem de uma candidatura que tem dificuldade para manter unidos os próprios aliados.
Em uma eleição estadual, a capacidade de diálogo pode ser tão importante quanto a força eleitoral.
Se a candidatura conseguir transformar a aproximação com o PL em uma frente realmente ampla, Pazolini poderá sair fortalecido. Mas, se novas rupturas surgirem, seus oponentes terão um argumento poderoso para explorar: a de que o candidato consiga conquistar novos aliados, mas tem dificuldade para preservar os antigos.
Por enquanto, não é possível afirmar que essas rupturas determinarão o resultado das urnas. Eleições são dinâmicas e alianças ainda podem mudar.
Mas o sinal político é evidente:
Pazolini entrou em uma fase em que precisará tentar que consiga comandar uma coalizão, e não apenas reunir partidos em torno de sua candidatura.
E a pergunta que começa a ganhar espaço nos bastidores é direta:
Até onde a aproximação com o PL poderá ampliar sua candidatura sem provocar novas perdas entre aqueles que estavam com Pazolini antes dessa guinada?
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