Quebrando o Silêncio 2026: Graziele Polinário faz apelo emocionante pelo cuidado e respeito aos idosos
Postado 22/08/2026 13H59
Por Lucas Charles | Rádio Ativa ES
“Eles são bênçãos”: uma mensagem que ultrapassou a palestra e tocou histórias de vida.
Uma manhã de reflexão, fé e emoção marcou a programação do projeto da Igreja Adventista, realizado na Igreja Central de Vila Velha, Quebrando o Silêncio 2026. Durante a programação, a palestrante formada em Direito Dra. Graziele Polinário, levou ao público uma mensagem contundente sobre a violência contra a pessoa idosa, mas também sobre abandono, afeto, propósito e a responsabilidade de toda a sociedade em cuidar daqueles que passaram uma vida inteira cuidando de outras pessoas.
Em sua mensagem, Graziele utilizou personagens bíblicos para mostrar que a velhice jamais deve ser encarada como sinônimo de inutilidade ou peso. Ao falar sobre Barzilai, personagem apresentado como alguém que poderia carregar sentimentos de abandono e de ser um fardo, a palestrante fez um apelo direto:
“Nós precisamos cuidar deles. Eles são bênçãos.”
Segundo Graziele, muitos idosos carregam histórias marcadas por dificuldades, perdas e até experiências de violência. Por isso, precisam ser vistos não apenas pelas limitações físicas ou pela idade, mas pela história que construíram e pelo propósito que ainda possuem.
A palestrante chamou a atenção para uma realidade muitas vezes silenciosa dentro das próprias famílias: idosos que deixam de ser ouvidos pela correria cotidiana. Trabalho, filhos, escola e compromissos acabam ocupando espaço na rotina, enquanto pais, mães, avós, tios e outros familiares envelhecem esperando algo que não deveria ser considerado extraordinário: atenção, carinho e presença.
Graziele também destacou a importância de ensinar as novas gerações a ouvir os idosos, valorizar suas histórias e reconhecer a experiência acumulada ao longo de décadas.
Uma mulher idosa que ainda tinha uma missão
A mensagem também passou pelo capítulo 2 do Evangelho de Lucas, onde a Bíblia apresenta Ana, a profetisa. Já idosa e viúva, Ana permanecia no templo, dedicando-se à oração e ao serviço a Deus. Para Graziele, a história demonstra que a idade não apaga o propósito de uma pessoa. Ao contrário: Ana estava presente justamente em um momento decisivo da história cristã e anunciou a chegada de Jesus.
A reflexão ganhou ainda mais força quando a palestrante afirmou que muitos idosos continuam sendo exemplos de fé dentro das igrejas, mesmo enfrentando limitações físicas. São aqueles que chegam cedo, participam das orações, oferecem estudos bíblicos e continuam anunciando sua fé mesmo quando o corpo já não acompanha a disposição de antes.
“Eles são uma bênção para essa igreja e muito mais para Cristo Jesus”, destacou Graziele em sua mensagem.
Mas a palestra tomou um rumo ainda mais pessoal quando Graziele decidiu compartilhar uma parte dolorosa de sua própria história. Ela revelou que falar sobre idosos e violência é um assunto particularmente sensível porque sua infância foi marcada por um ambiente familiar profundamente conturbado.
Segundo seu relato, seus pais se separaram quando ela tinha apenas quatro anos. Ela contou que o pai enfrentava problemas com alcoolismo e que, posteriormente, sua mãe passou por relacionamentos marcados pela violência doméstica.
Em um dos episódios relatados, Graziele contou que sua mãe chegou a ser vítima de uma tentativa de enforcamento por parte de um companheiro que, segundo ela, fazia uso de crack e apresentava episódios de alucinação.
Diante daquele cenário familiar, Graziele contou que acabou sendo criada pela avó. E é justamente nesse ponto que sua fala ganha uma dimensão ainda mais profunda: a discussão sobre proteção, cuidado e violência não é, para ela, apenas uma questão jurídica ou institucional. É também uma questão humana.
O Quebrando o Silêncio 2026 busca justamente trazer para o debate situações de violência que muitas vezes permanecem escondidas dentro das famílias e da sociedade. Na programação realizada em Vila Velha, a mensagem de Graziele chamou atenção para a necessidade de identificar sinais de abandono, negligência e violência contra idosos, mas também para algo aparentemente simples e, ao mesmo tempo, poderoso: estar presente.
Visitar. Ouvir. Abraçar. Respeitar. Cuidar.
A programação também contou com a participação musical da cantora Luiza Littig, da Igreja Adventista de Jardim Camburi, contribuindo para o momento de reflexão e sensibilização do público.
Ao final, ficou uma mensagem que ultrapassa os limites da igreja e alcança famílias inteiras: envelhecer não significa perder o valor, perder o propósito ou deixar de ser necessário. Cada idoso carrega uma história. Muitos carregam feridas que nunca foram contadas. Outros carregam uma fé que atravessou décadas.
E, diante disso, o apelo de Graziele Polinário é direto: que uma nova geração aprenda não apenas a falar sobre os idosos, mas a cuidar deles. Porque, muitas vezes, quem hoje precisa de cuidado é justamente quem um dia dedicou a própria vida para cuidar de nós.
Quebrando o Silêncio 2026 — Igreja Adventista Central de Vila Velha - Por Lucas Charles Manga
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